segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A viagem


Numa tarde algures no tempo 
(...)

Libertou-se da roupa deixando a pele respirar e entrou na água. Refrescou-se deixando que a água inundasse cada pedaço de pele.
Rapidamente o grupo entrou na brincadeira, e entre os risos e gargalhadas sonoras, afastou-se lentamente. Sentiu que um olhar a seguia, e continuou. Sem que notassem a ausência refugiaram-se os dois naquele recanto meio escondido pelas pedras e árvore. Num sussurro, diz-lhe ao ouvido o quanto o acha irresistível, fazendo-o sorri, porque sabe perfeitamente aquilo que lhe povoa o pensamento.
Estavam completamente sozinhos e o desejo que tinham um pelo outro transparecia nas carícias, nos beijos, no olhar, numa cumplicidade só deles. Não havia mais ninguém.
Ela deu-lhe um beijo demorado nos lábios, enquanto a sua mão desce ao longo do seu peito e lhe entra dentro dos calções, provocando-lhe uma reacção deliciosa.
Morde os lábios ... não o faz esperar e a sua boca, ansiosa de o sentir, percorre-lhe corpo. De repente, pára, deixando-o ainda com mais vontade.
Nem sabe o tesão que lhe dá ver a sua cara de prazer, o seu corpo a pedir o dela. Nadou para longe de dele, deixando-o a desejá-la, de encontro com o grupo que começa a sair da água.

Agora os corpos banhados pelo sol repousam na margem, aproveitando o ambiente relaxado que se proporciona.
As conversas foram surgindo, animadamente, e por entre brincadeiras, foram-se revelando verdades.
As vozes misturavam-se com os sons calmos da natureza, os risos aumentavam e os (seus) olhares perdidos no horizonte tentavam disfarçar o segredo escondido.
Não deu pelo tempo passar, deixou-se adormecer à sombra. Olhou em volta e repara que está sozinha. Ouve sons e vozes. Foram todos de novo para a água. Entrou, e sentiu o olhar dele, mas não ligou. Mergulhou, e sentiu a pele quente arrefecer ao ser envolvida pela água.

Entre brincadeiras e mergulhos todos começam a sair da água até que alguém desafiou o grupo a tirar os calções e atira-los para a margem.
Quando elas, safadas, lhes levaram os calções e riram, um deles decidiu que teria de haver uma pequena vingança. Disse para os rapazes: “eu vou sair da água assim.. quem vem? elas vão ficar parvas porque pensam que não somos capazes”. Todos acederam e assim foi. Lentamente, foram-se aproximando da margem. Quando se levantaram e aproximaram, todas, sem excepção, ficaram surpreendidas. Ficaram ali, corpos molhados, a pingar água de todas as pontas, em fila, com ar de malandros. Elas nem respiravam. Saiu-lhes o tiro pela culatra. Como ninguém dizia nada, avançou quem tinha tido a ideia. Põe a mão no cabelo para o ajustar, e aproxima-se. “Qual das donzelas tem os meus calções? É que gostava de os estender para secar?”

Apareceram a voar e ficaram presos sua minha cabeça.. risada geral. Conforme se devolviam os calções foram-se formando alguns casais. Ninguém dizia nada, mas todos tinham visto os toques nas pernas de uns, a noite supostamente secreta de outros.
O resto do dia passou-se normalmente. Foram conhecer as imediações, mergulharam na cascata, mas desta vez, também as mulheres se despiram.
Com o cair da noite, em vez de cada um na sua tenda, estavam praticamente formamos casais com quase todos. Houve um membro que se afastou um pouco e foi-se sentar numa pedra, húmida a olhar as estrelas. Olhou para trás, para aquele grupo. Sorriu. Deixou-se ficar a contemplar a natureza e os sons da noite.
Quando foi para a tenda, ao abrir o fecho e reparou em alguém deitado, dormindo serenamente de barriga para baixo. Cabelos longos, pretos. Conheceu-a logo. Fechou o zipper da tenda, lentamente para não a acordar.

“Estava difícil homem”, disse baixinho. 
“Estava a aproveitar o última dia desta natureza..”, respondeu. 
Olhou-a nos olhos e os seus lábios carnudos entreabertos. Sorriu-lhe e disse-lhe apenas: “mas há outra natureza que vou explorar agora. Não consegui deixar pensar em ti, mesmo depois da tua brincadeirinha na cascata.” 

Beijou-a. Todo o sono que podiam ter desvaneceu-se naquele momento em que os lábios finalmente se encontraram. Despiu-lhe a camisola de dormir, lentamente por cima da cabeça e ela fez-lhe o mesmo. Encostaram o peito um no outro e aquele toque fez-lhe crescer o órgão do prazer. Ela apercebeu-se e colocou a mão dentro dos calções envolvendo-o e tocando-lhe: 

“hmm está ainda melhor que hoje na água”

Cresceu ainda mais, ficando hirto na sua mão fria que rapidamente aqueceu. Agarrou-lhe a nuca enquanto a beijava. Deitou-a e seguiu beijando, enquanto lhe contornava o corpo com os seus lábios e língua. Pausa obrigatória nos seios. Os mamilos estavam hirtos e sugou-os fazendo-a soltar um pequeno gemido. Continuou a descer até lhe chegar à caverna secreta. Sentia a humidade sem lhe tocar. Sentia-se o Ali Baba à porta da caverna, mas em vez de um “abre-te sésamo”, deu-lhe um beijo, nos lábios. Quando o fez, a sua língua saiu ligeiramente e degustou-lhe o clitóris, massajando-o. Sentia-a tremer e ouviu-lhe um gemido quando soltou o seu líquido salgado do clímax. Ela, excitada, puxou-lhe os cabelos e a cabeça para o beijar apaixonadamente. Automaticamente, entrou nela e sentiu-a fincar as unhas nas suas costas. Movimentos ritmados, a dois. Entrava e saia, lentamente, para lhe sentir todo o interior, e para que ela lhe sentisse todos os milímetros. Os beijos, os toques, a penetração fizeram com que chegassem os dois ao orgasmos praticamente ao mesmo tempo. Nem se lembraram onde estavam, gemiam de prazer. Deitaram os corpos nus e ela, adormeceu no seu peito.

De manhã, saíram da tenda e arrumaram tudo junto com os outros. Malas, tendas, geleiras tudo arrumado dentro do jipe. Fizemos um brinde, com café quente. Arrancaram de volta à vida normal, deixando para trás aquele paraíso.

Mónica Pedro/Pedro Silva


3 comentários: