segunda-feira, 3 de abril de 2017

Clandestino (parte I)

Conhecemos nos por acaso num desses jantares de empresa, uma troca de olhares disfarçados e sorrisos tímidos, um aproximar prudente, uma troca de palavras que se foram intensificando ao longo da noite … no final a troca de cartões e um olhar que pedia mais … muito mais …
Na manhã seguinte um bom dia inesperado e um sorriso que se solta … e a conversa que se alonga ao longo do dia, as horas que correm sem dar conta … e quando menos esperava surgiu o convite … um almoço.
Confesso que estava nervosa. Apesar de ter a sensação que já o conhecia há imenso tempo, a verdade é que nem há um mês que nos tínhamos conhecido e esta era a primeira vez que nos íamos encontrar num contexto pessoal. Estava nervosa por saber o quanto ele não perdia tempo e ia directo ao assunto. Além disso, já tinha percebido que ele era do género de conseguir tudo o que queria e isso assustava-me, principalmente pelo facto de ele ainda ser casado ... apesar de não fazerem vida a dois … ele era casado e isso assustava-me … pois não sabia como lidar com este sentimento que se instalava.
Enfim, sentia-me presa no meu mundo e queria abrir as asas e voar! No entanto, também tinha perfeita consciência de que estava emocionalmente fragilizada e carente, o que podia abrir caminho a algo mais do que eu - conscientemente - queria (inconscientemente, talvez eu estivesse mesmo à procura de uma grande aventura ou até de uma paixão arrebatadora, não sei).
Marcamos encontro num café e quando eu cheguei, ele já lá estava. Quando o vi, lembro-me de ter pensado no quanto ele era fantástico! Diferente dos homens com quem eu lidava no dia-a-dia. Essa diferença veio a revelar-se ainda mais no seu grau de inteligência. Fiquei fascinada desde o início: era lindo de morrer, cativante, extremamente inteligente e muito divertido. Almoçamos juntos e de seguida fomos, sob uma leve chuva, novamente para o café. Lembro-me de querer saber tudo a respeito dele, de absorver cada palavra que ele dizia. 


Lembro-me também de me rir imenso (não só por, como disse, ele ser super divertido, mas também - e se calhar sobretudo! - por nervosismo) e de falar sem parar. Aquele homem lindo e inteligente teve, além do mais, o dom de me pôr a falar sobre mim, sobre as minhas dúvidas, angustias e anseios. O tempo passou a voar e depressa (pelo menos assim nos pareceu) chegou a hora de irmos cada um para seu lado. Prometemos, voltar a encontrar-nos em breve e eu dei comigo a pensar, no caminho para casa, que ele não me saia da cabeça... Não, não podia ser!  "Ah, tem calma! Estás apenas ainda sob o efeito da sua presença inebriante... Isto passa, vais ver!" Mas uma certeza eu tinha também. Apesar (ou através) da minha timidez e insegurança, ele também ficara balançado, também tinha ficado pelo menos ligeiramente fascinado... No que é que me estaria eu a meter?!...

(continua amanhã ... talvez)

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