quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

UM BRINDE ÀS MULHERES COM CLASSE

"A classe de uma mulher mede-se pela forma como pratica sexo oral. Isso mesmo: a classe de uma mulher mede-se pela forma como pratica sexo oral. E sim: a mulher com classe pratica sexo oral. Pratica com prazer, com loucura, com dedicação até. Mas a mulher com classe consegue fazer um fellatio como se estivesse a caminhar sobre a mais vermelha e glamorosa das passadeiras. A mulher com classe faz do fellatio uma festa de sentidos, sim. Mas uma festa de sentidos que poderia aparecer na capa da Lux ou da Caras. A mulher com classe vê no fellatio aquilo que ele é: um acto de amor. E ter o sexo ou os lábios de quem ama na boca é exactamente o mesmo: um acto de amor. E é isso - essa capacidade de amar para além dos gestos, dos sentidos, dos preconceitos, das peles - que é amoroso.

Não há como o esconder – nem sequer entendo porque raios haveria de o esconder: já tive muitas mulheres. Como tão bem canta Martinho da Vila: “Já tive mulheres de todas as cores/De várias idades, de muitos amores/Com umas até certo tempo fiquei/Prá outras apenas um pouco me dei.” Mulheres. Mulheres. Todas diferentes. Todas deliciosamente diferentes. Todas absolutamente mulheres. E aquelas que absolutamente mais classe tinham foram aquelas que, sem hesitar, sem pensar um momento que fosse, me amaram de sexo. Sem fronteiras. Aquelas que sem perder um segundo que fosse a reflectir se deviam ou não fazê-lo, se era precipitado ou não fazê-lo, mergulharam no sexo oral como se o sexo oral mais não fosse do que uma extensão do prazer – como um beijo ou um abraço. E é. Para uma mulher com classe o sexo oral é como o sexo normal ou brutal ou outras coisas que tal: amor. E é isso, fazer amor e não encontrar em peles que se suam e se agarram e se tocam e se lambem nada mais do que amor a fazer-se, aquilo que faz de uma mulher com classe uma mulher com classe. Eu tive algumas. E foi um prazer, com elas, perceber que um fellatio é amor. E amar aquele amor e o amor que cada uma delas, das mulheres com classe, colocou no amor que me dava. Porque o amor verdadeiro tem de ser um amor com classe. Um amor de todas as classes. 
Há mulheres que acreditam que não devem fazer sexo oral. Porque fica mal, porque é a prova de que são meretrizes sem ponta de dignidade, porque o homem pode pensar coisas terríveis delas. Porque. Há mulheres que se incutem, até, nojo de o fazer. Iarrrrrc! Essas são as mulheres que acreditam que a classe se compra, que a dignidade se mascara, que a pureza se suja. Mas não. A classe não se compra, a dignidade não se mascara. Muito menos a pureza se suja. A pureza de alguém não é aquilo que faz – mas sim aquilo que sente quando faz o que faz. E uma mulher que pratica um fellatio com o mesmo carinho com que acarinha uma pele, com a mesma ternura com que embala um berço, é a mulher mais pura do mundo, a mulher que vai à procura do que a faz feliz e do que faz feliz quem ama (e a ama). E encontra. A mulher com classe – mais do que uma mulher com classe – é uma mulher feliz. Uma mulher que se esquece do que não pode ser, do que não deve ser. E que faz aquilo que tem de ser. Aquilo que só pode ser. Aquilo que amar só pode ser. É isso que és?

in "Eu Sou Deus", de Pedro Chagas Freitas

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