segunda-feira, 28 de abril de 2014

Carta Aberta

Não me considero uma mulher de acasos. Acredito que se as coisas acontecem porque nos direcionamos para elas ... umas vezes conscientemente, outras nem por isso.
Connosco foi um pouco assim...inconscientemente naquela noite, porque ambos estávamos sedentos de desejo, de vontade, de correr riscos...naquela noite, naquela hora, naquele momento. (E sempre que penso nisso arrepio-me) Não mudava aquela noite. Não mesmo. Com tudo o que poderia trazer de bom ou menos bom, não hesitei. Queria. Eu queria estar contigo a partir do momento em que nos conhecemos, é verdade. Deixaste uma química no ar...tu sabes que tens o "dom" do encantamento com classe... e gostei disso!

Conscientemente nos dias posteriores...continuámos. Quisemos continuar.
Eu continuei porque gostei. Porque não estava com ninguém. Porque fez-se um "clic"...
Pergunto-me imensas vezes porquê eu... porque quiseste continuar???...

Esta "relação" teve tanto de bom quanto de assustador...e custa-me pensar nesse lado...às vezes era difícil perceber onde começava a nossa intimidade e onde terminava. O que te dava direito de perguntar ou saber isto ou aquilo. O que me dava direito de questionar isto ou aquilo. É verdade que não impusemos limites mas também não anunciamos as liberdades impostas...fica ao critério do nosso bom senso, da nossa responsabilidade individual, mas sempre com a parte do outro presente em nós.

Não delineamos absolutamente nada e os dias rolaram. Não delineamos nada e as noites aconteceram...
Não impusemos nada mas a situação ficou "esclarecida" desde o início. Os entraves, os riscos, o cuidado, os horários, as prioridades...ao longas deste tempo soubemos encaixar tudo isso...
E este tempo da nossa vida foi passado a viver momentos à parte do mundo lá fora...e isso assustou-me...habituar-me a uma rotina de que gosto e que queria mais e de uma outra forma, mas que sei que dificilmente iria alterar alguma coisa...

Óbvio que a vida dá muitas voltas sim. Óbvio que existem diversas possibilidades em aberto, até porque olhando para trás possivelmente não diria que isto poderia acontecer...mas aconteceu não é?
E fico Feliz por isso …
Feliz apesar de saber que mereço mais. Feliz apesar de saber que possivelmente não darás mais. Feliz apesar de saber que poderíamos encaixar melhor ainda. Feliz por me contentar com o pouco que me enche muito o coração.
Nunca fui uma mulher de "pedir" muito. Fui sempre uma mulher de saber aproveitar da melhor forma e com a máxima intensidade os caminhos que escolho  ou aqueles que me são dados a escolher. E não considero isso pouco. Considero que mereço mais sim, mas não considero pouco o que tenho, ou o que tivemos. :)

Conheci-te numa fase de mudança da minha vida. Grandes mudanças.
Mudanças essas, que também me ajudaste a superar, sem querer dar-te os louros todos como é óbvio...mas a verdade, que é normal acontecer, é que um relacionamento dá-nos um espirito e disposição para enfrentar as coisas de maneira diferente.
Brilhamos sem darmos conta e nisso adquires tu um grande mérito nesta mudança.

Sim, tornei-me mais mulher ao teu lado, posso dizer isso sem medo ou receio de parecer "criança" ou menos mulher. Partilhar contigo certos pontos de vista, perceber algumas realidades que por vezes me passavam ao lado, ter o cuidado de cumprir horários, responsabilizar-me pelos argumentos que uso, responder pelas atitudes que tomo, expressar com as palavras certas o que o coração e a cabeça às vezes complicam, aprender a olhar olhos nos olhos mesmo quando falamos assuntos demasiadamente sérios, rir e sorrir de boca cheia, fazer amor como se não houvesse amanhã e acordar com um brilho...
Tornei-me mais brilhante contigo. Aprendi a brilhar, naturalmente.

E isso não se pode agradecer nem acho que se deva...demonstra-se. E é o que tenho feito neste tempo que passou. Demonstrar que sim, que foi bom ter-te conhecido e que continuaria a ser bom conhecer-te cada dia mais um pouquinho. Nem sempre foi fácil para mim saber como agir ou reagir ao teu lado...por vezes o receio de demonstrar fica um pouco inibido...a dualidade entre o que quero e o que penso que deverei demonstrar...a dualidade entre o que manda o coração e o que pensa a cabeça...a dualidade entre o correto e o incorreto...a dualidade de me colocar do outro lado...e acredita que penso nisso tudo...não deixo de ser eu mesma no que te digo e no que faço mas ainda assim penso em todas essas dualidades...

Sinto-me de Parabéns por conseguir lidar com tudo isto ao longo deste tempo.
Gosto de mim assim brilhante.
Adoro sentir-me brilhante, sorridente e feliz mesmo que já não estejas ao meu lado.
Sabes que sempre tive medo … sim medo … de duas hipóteses: que simplesmente terminasse tudo … ou que corresse tudo mal e terminasse tudo da pior maneira … e a verdade é que terminou tudo da pior maneira …
Sei que falta a terceira hipótese … mas essa muito sinceramente não pensei nela porque, infelizmente e sendo muito realista, parece-me a mais improvável de todas...e não é que não o desejasse...mas desde o início que nunca prometeste nada portanto acho que é por isso que nem sequer a coloquei em questão e até me causava uma certa inibição...não queria falar disso contigo porque, eventualmente, poderias pensar que era algum tipo de pressão e, de todo, nunca o faria com esse sentido, como espero que saibas...
Se me arrependo? Só da forma como terminamos o resto faria tudo mas tudo de igual forma se tivesse a mesma oportunidade.
Uma, duas, três vezes...as que fossem necessárias para sentir todos os arrepios que me provocaste …


Obrigada por teres existido na minha vida 

Bacio per TE 

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