quarta-feira, 20 de março de 2013

Numa tarde ...


- Onde estás?
- A chegar a Lisboa.
- Estou atrasado…
- Sem problemas, aproveito para comer qualquer coisa. 
Sento-me na mesa do café. Abro a mala e tiro um livro a meio. Peço um Compal e uma torrada. Vou lendo enquanto espero, embrenhada em histórias de vampiros sedentos de poder. Ligas-me quando estás quase a chegar. Em cinco minutos o teu corpo em passo apressado entra pela porta. Levanto-me para um abraço apertado e um roçar de lábios quentes que antecipam outras carícias.
Sentamo-nos e pedes um café. Olho-te, procurando quiçá alguma diferença mínima que possa não ter gravado perfeitamente desde a última vez. Entrelaço os dedos nos teus como único sinal de que te quero mais próximo enquanto a conversa flui sobre as banalidades dos últimos dias. Consideras se devíamos almoçar, passear, se tenho algum compromisso… enfim, aquelas coisas que nos saem dos lábios quando no sub-texto apenas se lê o desejo do outro.
Saimos dali. Dentro do carro os dedos percorrem os corpos cobertos pela roupa. Os engarrafamentos e os semáforos são palco de beijos roubados. Destino? Um quarto de hotel, de motel, a minha casa, a tua casa… o que nos apetecer no momento. Hoje a tua casa.
Mal a porta da garagem se fecha esquecemos tudo, libertamo-nos de tudo o que não somos nós. As mãos puxam e afastam aquele mínimo de roupa para sentir o mais íntimo do outro. Sentir a excitação mútua, o desejo. Empurras-me contra a parede, forte, agressivo quase… queres-me e sentes como eu te quero a ti. Os teus dedos no meu sexo tocam-me, penetram-me, levam-me ao êxtase. Gemo encostada ao teu corpo, o teu sexo na minha mão, a roupa em desalinho. Um segundo orgasmo permite uns segundos de calma que aproveitamos para subir ao quarto e livrar-nos do resto da roupa. Não chegamos à cama. Sinto o teu corpo nu colado ao meu; o sexo duro contra as minhas costas, as tuas mãos no meu peito e a boca no meu pescoço. Rodas-me e pegas-me ao colo usando o meu peso para me penetrares profundamente. As minhas pernas rodeiam-te a cintura e os meus braços o pescoço. Já não gemo… grito de prazer puro. Excita-te ver-me assim. Não páras até que atinjo mais um orgasmo e te abraço, ofegante.
Agora sim… a cama…
[Continua]

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