domingo, 26 de agosto de 2012

Arrepio .................

Porque a noite chegou de mansinho, anunciada por um céu em tons laranjas, vermelhos e azuis … e lentamente, ficou a chamar o teu nome.
Vezes sem fim, repetidamente, sem cansaço.
O teu nome nas luzes que refletem nas pedras da calçada, nos olhares dos outros, nas estrelas, nos becos e nas ruas, na musica, no silêncio, nas vozes dos bichos e dos anjos … em todos os lugares o teu nome. 



Fecho os olhos, inspiro. Sorrio.
É hoje. É hora. É agora …
Vou sair por aí … e com estas mãos tocar o amor, num toque de pólen para depois lembrar.
Hoje eu vou deixar …
Deixar que a pele grite …
Deixar que a pele queime …
Deixar que a pele arrepie …
Que a alma vagueie, destemida, por entre todos os lugares.
Sorver a vida assim, numa taça de champanhe, na pressa de quem não quer acabar.
Na lentidão de todos os sentidos, num torpor … com a precisão do tempo, nem antes nem depois.
Ser carne, alma, corpo, ser suor, tesão, paixão, sangue, ser coração acelerado, ser ponte, ser rio, ser mar … ser travo a saliva, ser desejo, ser vontade, ser alfa e ser ómega, ser jogo e jogar, ser dama e ser eu … ser tudo e ser nada.
Dar tudo sem nada dar.
Sem nunca deixar de ser …
Hoje será assim.
Não foi ontem porque não era tempo, não será amanhã.
Amanhã será tarde demais.
É neste instante, neste momento.
Não pode ser doutra maneira.
Hoje quero seja assim.
Sentir o arrepio, o vazio, todas as galáxias em mim …
É noite lá fora … e eu vou deixar.
Deixar que a paixão entre devagar. 

[ouvindo]




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